A força de Eliana

Em alusão ao Dia Mundial do Câncer, lembrado em 4 de fevereiro, agente comunitária de saúde de Pinhalzinho conta como é lutar contra a doença desde 2016

Imprensa do Povo
Foto: FOTO RFCC/IMPRENSA DO POVO

No início de 2016, ao realizar autoexame, Eliana Bampi Zanco, moradora de Pinhalzinho, descobriu um nódulo na mama direita. Fez os encaminhamentos e realizou a cirurgia em maio, o quanto antes, para que a doença não evoluísse. Na época, foram 30 sessões de radioterapia, e como o nódulo era pequeno, não se julgou necessário quimioterapia. Ela continuou com tratamento via oral e acompanhamento oncológico, que apontava estar tudo bem, mas não estava.

Entre o final de 2017 e início de 2018, começou a sentir muitas dores no quadril que se agravavam e, aos poucos, dificultavam seu caminhar. Os médicos investigaram e perceberam que havia algumas complicações na coluna, mas nada grave.

"Cheguei a ouvir de um profissional que eu era 'muito queixosa'. Então, me calei. Porém as dores não se calaram. No dia 7 de outubro de 2018, dia das eleições, parei definitivamente de caminhar. Veio a notícia: "ele" havia voltado. Na verdade, ele nunca foi embora. Meu diagnóstico: metástase óssea, ou seja, da mama o câncer foi para os ossos e se alojou no quadril. Conforme os médicos na época, eu dificilmente voltaria a caminhar", conta.

Eliana realizou 28 quimioterapias intravenosas e, no momento, continua com tratamento quimioterápico via oral. Neste período, teve regressos, mas os progressos se sobressaíram. "De início, o desespero, confusão, dúvidas. Minha família e eu perdemos o chão. Não sabíamos certo o que era e o que aconteceria comigo dali em diante, mas renovamos nossa esperança e não perdemos a fé. Hoje sei que essa doença não tem cura, porém, tem controle", afirma.

Segundo ela, quando parou de caminhar ficou cinco meses só de cama, não conseguia nem sentar. Aos poucos, o tratamento foi fazendo efeito, usou cadeira de rodas, andador e desde março de 2020 está caminhando, com certa dificuldade, mas sem auxílio. Hoje, aos 55 anos, a agente de saúde aposentada - devido às complicações da doença - destaca que o apoio da família foi fundamental para a recuperação.

"Tanto meu esposo e filhos, como meus pais, irmãos e familiares estiveram ao meu lado sem medir esforços, cada um à sua maneira, não me deixaram desanimar. Recebi também apoio de amigos e até de pessoas desconhecidas que nos diziam que estavam rezando por mim. Sei que Deus ouviu essas preces, senti isso muito forte. Algo me segura até agora e tenho certeza que é a mão de Deus, por isso sou muito grata a Ele, por ter colocado pessoas tão especiais em minha vida. Desistir nunca foi uma opção, sempre quis mais e ainda quero. Tenho muito amor pela vida e muito ainda a viver!", reforça.

Conscientização

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) afirma que o câncer é o principal problema de saúde pública no mundo e já está entre as quatro principais causas de morte prematura (antes dos 70 anos de idade) na maioria dos países. Dados divulgados após estudo realizado pelo Inca apontam que, atualmente, 7,6 milhões de pessoas no planeta morrem em decorrência da doença a cada ano. Dessas, 4 milhões têm entre 30 e 69 anos.

Nesse ritmo, sem medidas urgentes para aumentar a conscientização sobre a doença e estratégias práticas para lidar com o câncer, a previsão para 2025 é de 6 milhões de mortes prematuras por ano. Estimativas apontam que 1,5 milhão de mortes anuais por câncer poderiam ser evitadas com medidas adequadas.

Por isso, as ações de conscientização e educação sobre o câncer tem ganhado cada vez mais visibilidade em datas alusivas, como é o caso do 4 de fevereiro, Dia Mundial do Câncer, e 8 de abril, Dia Mundial de Combate ao Câncer. Em 2021 são 20 anos de Dia Mundial do Câncer, que é uma campanha coordenada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com o objetivo de difundir informações à população e leva como tema #EuSoueEuVou.

Dicas para prevenir o câncer, de acordo com o Inca:

- não fumar;

- adotar uma alimentação saudável;

- manter o peso corporal adequado;

- praticar atividades físicas;

- amamentar;

- realizar exame preventivo de câncer do colo do útero a cada três anos, para mulheres com idade entre 25 e 64 anos;

- vacinar as meninas de 9 a 14 anos e os meninos de 11 a 14 anos contra o HPV;

- vacinar-se contra a hepatite B;

- evitar bebidas alcoólicas;

- evitar carnes processadas;

- evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h;

- evitar a exposição a agentes cancerígenos no ambiente de trabalho.

Apoio

Pela conscientização no Dia Mundial do Câncer, a Rede Feminina de Combate ao Câncer (RFCC) de Pinhalzinho mais uma vez abraçou a campanha da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale). Aderindo à #vádelenço, elas apoiam a iniciativa que tem como objetivo homenagear os guerreiros que travam uma árdua batalha contra a doença, além de conscientizar a população sobre os fatores de risco evitáveis do câncer.








https://www.facebook.com/imprensa.povo/
Facebook jornal.png

Rua João Pessoa, 1969 - Sala 003 | Pinhalzinho | 049 3366-3910

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina