Consumo de álcool cresce durante a pandemia

Imprensa do Povo
Foto: Divulgação

Fevereiro é o mês de combater os males causados pelas bebidas alcoólicas. Considera-se o dia 18 como Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, que é também quando se inicia a semana nacional de conscientização contra o hábito. O alcoolismo é responsável por destruir famílias e a vida social de quem faz uso, ocasionando perdas significativas, o etilismo causa prejuízos sociais e pessoais em decorrência do abuso de bebida alcoólica.

Vale esclarecer que o consumo de bebida alcóolica diariamente ou nos finais de semana, mesmo que em quantidade pequena, gera dependência. A dependência ao álcool é uma doença e por isso necessita de tratamento.

A pandemia do coronavírus gerou um grande impacto nos hábitos de vida da sociedade, provocando, entre várias práticas, o aumento do consumo de álcool, podendo potencializar o desenvolvimento de consequências como distúrbios mentais e comportamentais, incluindo dependência ao álcool. O aumento na venda de bebidas alcoólicas subiu 93%, demonstrando o aumento do risco de dependência e adoecimento.

Nesse período, criaram-se vários mitos sobre o uso de álcool, como a ideia de que o consumo iria proteger do contágio do coronavírus. De acordo com relatos da mídia, mortes relacionadas à ingestão de tais produtos alcoólicos já ocorreram em alguns países durante o surto de Covid-19, com base na crença enganosa de que eles ofereceriam proteção contra o vírus.

"É muito importante esclarecer que o consumo de qualquer tipo de álcool não previne nem cura Covid-19 ou qualquer outra doença. Ao contrário, seu consumo está associado ao enfraquecimento do sistema imunológico e, portanto, de sua capacidade de combater diversas doenças, inclusive as infecciosas, como é o caso da Covid-19, enquadrando os etilistas no grupo de risco do coronavírus", destaca a enfermeira e coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Pinhalzinho, Selis Mara Vicenzi Mantelli.

Selis frisa que o consumo de bebidas alcoólicas não destruirá o vírus; inclusive pode até aumentar os riscos para a saúde se uma pessoa for infectada pelo vírus. "O álcool (a uma concentração de pelo menos 60% em volume) funciona como desinfetante na pele, mas não tem esse efeito dentro do organismo quando ingerido. O consumo nocivo de álcool (cerveja, vinho, bebidas destiladas ou álcool à base de plantas) debilita a imunidade e a resistência ao vírus".

Dicas para auxiliar no processo de combate ao alcoolismo, principalmente em tempos de pandemia:

? Manter-se sóbrio ajuda a manter a vigilância, agir rapidamente e tomar decisões que afetarão a si próprio e aos outros;

 ? Se você beber, consuma o mínimo possível e evite ficar intoxicado;

? Evite sempre o primeiro gole;

? Nunca misture álcool com medicamentos, pois isso pode torná-los menos eficazes ou aumentar sua potência tornando-os tóxicos e perigosos;

? Você pode pensar que o álcool ajuda a diminuir o estresse, mas, na verdade, não é um bom mecanismo de enfrentamento. Seu consumo abusivo aumenta os sintomas de pânico e transtornos de ansiedade, depressão e risco de violência doméstica;

? Para lidar com a tensão, tente praticar exercícios físicos dentro de casa. A atividade física fortalece o sistema imunológico;

? Trabalhe a respiração das narinas alternadas.

Atendimento em Pinhalzinho

Um dos públicos-alvo assistidos pelo CAPS de Pinhalzinho são dependentes químicos (usuários de substâncias psicoativas) em abstinência ou não. No momento, são atendidos 40 pacientes etilistas que somente utilizam álcool e 22 que fazem uso de associado de outras substâncias psicoativas, totalizando 62 pessoas em tratamento. Todos recebem atendimentos semanais em grupos terapêuticos, atendimentos psicológicos e psiquiátricos. Trabalha-se fortemente na questão das perdas de curto e longo prazo, bem como, mudanças de comportamentos e enfrentamentos.

Conforme Selis, nos grupos terapêuticos é dada ênfase às trocas de experiência, ao diálogo com os demais membros e as mudanças que isso gera tanto na vida pessoal do paciente como os benefícios desenvolvidos no grupo e no seu vínculo familiar.

"É através do convívio entre os participantes que surgem os debates acerca das práticas do cuidado, e é nesses encontros que os meios para a resolução dos problemas coletivos acontecem, buscando alternativas e apoio emocional para sua superação. Compreender o etilismo e saber como lidar com ele não é tarefa fácil, precisa-se compreensão, apoio familiar, iniciativa, força de vontade e mudanças de hábitos", afirma.

A família desempenha um papel muito importante neste processo de tratamento, e por isso também recebe atendimentos da equipe multiprofissional do CAPS.

Por meio do site do CAPS de Pinhalzinho, acessando pinhalzinho.sc.gov.br, é possível acompanhar o trabalho realizado em prol do combate ao alcoolismo, inclusive assistir um vídeo retratando a vida de um etilista e seus desafios.







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