Um exemplo de liderança

O professor de voleibol da FMEC Lucas Tomazi conquista resultados expressivos nos últimos anos

Imprensa do Povo
Foto: Reprodução

    Na última terça-feira (15) foi comemorado em todo o país o Dia do Professor. Nesta reportagem especial, o Imprensa do Povo irá contar a história do professor Lucas Tomazi, de 29 anos. Além de dar aulas de Educação Física no Centro de Ensino Objetivo, Lucas é professor de todas as categorias de base de voleibol na Fundação Municipal de Esportes e Cultura de Pinhalzinho, além de técnico dos times adultos da modalidade. Nos últimos anos, conquistou resultados históricos com as equipes masculina e feminina do município, classificando para fase estadual do JASC em anos consecutivos, o que nunca havia acontecido. Para chegar até aqui, Lucas teve uma trajetória de muito amor ao esporte e liderança.

O início no esporte

    A história do início de Lucas no voleibol é curiosa, e começa através do atual Secretário de Educação do município, Fabrício Fontana, que na época era o professor de vôlei da Fundação Municipal de Esportes. Quando Fabrício chegou a Pinhalzinho, em 2003, não existiam equipes de voleibol no município, e o atual secretário veio para trabalhar apenas com o voleibol feminino. Mas, Lucas e alguns amigos, que na época treinavam futsal, se interessaram em formar um time de voleibol masculino e procuraram Fabrício para iniciar este time. Então, Lucas treinava nos dois times: futsal e voleibol.

    De acordo com o secretário, chegou em um momento que Lucas precisou optar por apenas um esporte, e escolheu pelo voleibol pois teria maior oportunidade de ter um futuro. "Fizemos o nosso trabalho com ele, e ele ficou comigo até 2007. Investimos nele, por ele ter 25% de capacidade técnica, mas 75% de atitude e personalidade". Após isso, o voleibol masculino não estava se firmando no município por falta de interesse, então Lucas foi liberado por empréstimo a diversos municípios da região, pois seus professores acreditavam no seu grande potencial. Lucas Tomazi, enquanto estava na fundação, jogou por diversos times como Chapecó, Cunha Porã e Maravilha, abrindo suas portas no esporte. "Tudo que ele fez em sua trajetória e o que ele é hoje eu acredito que deva-se a escolha que ele fez lá em 2004/2005, de escolher o voleibol", completa Fabrício.

    Após passagem por Pinhalzinho e destaque na região, foi a Concórdia para jogar. Logo após, a Balneário Camboriú e Blumenau. Em Blumenau, foi campeão catarinense. Suas boas atuações no estado despertaram interesse do treinador da equipe de Pingamonhangaba-SP, onde foi vice-campeão da Superliga B, um dos principais campeonatos do país. Sua esposa, Priscila, destaca que desde Balneário sempre foi o capitão dos times, com grande atuação no espírito de liderança das equipes.

Unidos pelo voleibol

    No ano de 2009, Lucas, aos 19 anos foi até a cidade de Pindamonhangaba para defender a equipe local. E lá, conheceu a mineira Priscila Teixeira Vasconcelos. Natural de Ipatinga, a jovem de 18 anos de idade sempre teve o mesmo sonho de Lucas, ser uma jogadora profissional de voleibol. Priscila foi defender a equipe de Pingamonhangaba no mesmo período em que Lucas estava lá. Ambos treinavam no mesmo ginásio, e assim se conheceram, e, com o convívio do dia-a-dia foram criando afinidade. Não demorou para iniciarem um relacionamento.

    Ao final da temporada os contratos se encerraram. Lucas retornou a Pinhalzinho, e Priscila a Minas Gerais. Enquanto Lucas decidiu seguir sua carreira no voleibol após ter recebido proposta da equipe de Criciúma, Priscila havia feito vestibular e iniciado na graduação de educação física em sua cidade. Mas, uma notícia mudou todos os planos do casal. Priscila descobriu que estava grávida. Lucas recebeu a notícia quando estava a caminho da rodoviária e foi imediatamente a Ipatinga para acompanhar a gestação. Para se dedicar a criação da filha, ambos desistiram do vôlei. "Tive um probleminha no começo da gestação e tranquei a faculdade. O Lucas começou a trabalhar lá, fez um curso técnico de metalurgia, eu abri uma loja de roupa infantil, então fomos encaminhando nossa vida lá durante três anos", conta Priscila. Então, após alguns problemas financeiros com o fim do estágio de Lucas e a loja infantil ter sido assaltada, decidiram retornar a Pinhalzinho em 2013.

    O amor ao esporte, que uniu o casal e possibilitou que a família fosse criada, agora com a filha Valentina e mais tarde com Vicenzo, falou mais alto. Ambos começaram juntos a faculdade de educação física, e foi aí que surgiram as primeiras oportunidades de Lucas como treinador.

De aluno a professor

    Logo que iniciou a faculdade de educação física, Lucas iniciou estágio na Fundação Municipal de Esportes, auxiliando o professor Fabrício Fontana. Desde então, já adquiria prática para futuramente ser treinador. E a oportunidade apareceu quando se formou na faculdade em 2017, e no mesmo período Fabrício assumiu a Secretaria da Educação do município, então Lucas foi indicado para ser professor e técnico de todas as categorias de voleibol da Fundação.

    Hoje, Lucas é professor de todas as categorias de base, com o pré-mirim, mirim e infantil, além de técnico dos times adultos masculino e feminino do município, onde se destaca com os resultados expressivos conquistados nos últimos anos. Além disso, Lucas é treinador de sua esposa, Priscila, que joga na equipe feminina de Pinhalzinho. "Jogarei com ele no time adulto até quando meu corpo aguentar, porque realmente é algo que eu gosto muito. E pro Lucas muito mais, porque ele ama o que ele faz, brilha os olhos dele, ele não se vê fazendo outra coisa. Ele é muito satisfeito com o trabalho dele e com tudo que ele está construindo", conta Priscila, que faz questão de ressaltar que se orgulha muito do que seu marido vem conquistando como treinador.

    Além disso, Lucas também é professor de sua filha Valentina, de 9 anos. Valentina já ama o esporte desde pequena e treina voleibol por incentivo dos pais, acompanhando e torcendo por Pinhalzinho em todos os jogos disputados, inclusive em viagens para fora. Vicenzo, de apenas 1 ano, também acompanha Lucas e Priscila na rotina de jogos. Toda a família foi construída através do amor ao voleibol, e este amor certamente continuará nas próximas gerações.

Pinhalzinho no mapa

    O Diretor Técnico da FMEC e amigo pessoal de Lucas, Lewis Heineck, relata que o professor tem grande importância para a reestruturação do voleibol no município. Com Lucas como treinador, a equipe do município conquistou cinco classificações para a fase estadual do JASC (Jogos Abertos de Santa Catarina) das seis disputadas nas categorias feminino e masculino, o que mostra um desempenho bastante superior aos anos anteriores. Antes de 2017, nunca uma equipe pinhalense havia se classificado nas duas categorias (feminino e masculino) para a fase estadual do JASC no mesmo ano. Segundo Lewis, ficar entre as 16 melhores equipes do estado com frequência, mesmo não tendo realidade profissional, é um resultado de bastante expressão.

    Isso se deve também ao plano de reestruturação das modalidades coletivas que a administração do município traçou, dando mais investimento e estrutura. Além disso, Lewis relata que as categorias de base, que tem Lucas como professor, vem tomando forma novamente e lembrando os tempos em que o vôlei Pinhalense era referência no estado. "Trabalho esse iniciado pelo Professor Fabrício Fontana, que depois teve ajuda do Professor André Bettio. Foi graças à essa época de muito trabalho na modalidade voleibol que o Lucas teve a oportunidade de se tornar atleta profissional, anos mais tarde."

    Lewis não esconde sua admiração pelo seu amigo e agora colega de trabalho na Fundação. "Sou suspeito para falar do Lucas, pois somos amigos há muitos anos. Desde que jogávamos, todo dia, até a noite, um voleizinho de areia nas dependências do Pinhal Piscina Clube, administrado na época pelo Seu Dário e D. Salete, pais do Lucas", conta o diretor técnico da Fundação, que lembra que ambos tem o mesmo sonho: tornar Pinhalzinho referência estadual na formação de atletas.

    "Só quem trabalha com esporte sabe a dificuldade que enfrentamos com essa nova geração de atletas, que não estão acostumados à cobrança, cheios de facilidades, com muito mais oportunidades e acesso à informação que na nossa época. Por isso, e por saber de onde o Lucas veio, o quanto ele batalhou para estar onde está, é que sou hoje, como colega de trabalho, muito feliz por ter um profissional como ele na FMEC Pinhalzinho", completa Lewis.


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