Do nada para lugar nenhum

Ponte inacabada no Distrito de Juvêncio, em Saudades, atrai visitantes da região

Imprensa do Povo
Foto: Imprensa do Povo

No Distrito de Juvêncio, em Saudades, uma obra inacabada do final dos anos 60 até hoje atrai visitantes da região. Conhecida como Ponte do Nada ou Ponte de Lugar Nenhum, incialmente foi construída com o objetivo de dar segmento ao trânsito da BR-282, que passaria pelo local, mas a mudança no percurso da rodovia fez com que a obra fosse abandonada e hoje fica na divisa de duas propriedades rurais.

Quem vai até o local conhecer a famosa ponte precisa pedir permissão para o seu Romeu Frohlich, já que o acesso mais fácil se dá pelo terreno dele. Aos 80 anos, o agricultor disse que não se importa em atender os frequentes visitantes e que, inclusive, já perdeu as contas de quantas pessoas passaram por lá.

Natural de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, seu Romeu veio morar no Oeste de Santa Catarina no início de 1960. No final daquela década acompanhou a construção da ponte, pois passar pelo local fazia parte do seu deslocamento diário. Com boa memória e de tanto repetir a mesma história aos visitantes, ele se recorda de detalhes do processo.

"Tinha só um britador, um motor, senão era tudo feito manual, pessoal puxando com carrinho de mão. Foi feito o formato dela com tábua e tudo preenchido com concreto. Eles faziam o concreto na parte debaixo e levavam para cima por uma rampa. Quando faziam a parte de cima, um trabalhador se desequilibrou com o carinho de mão e caiu para baixo, bem cima das tábuas e laje, e morreu na hora", conta.

Segundo ele, o trajeto original seria bem diferente do traçado atual da BR-282, fazendo uma volta e saindo em uma madeireira local. "Antes de fazer o asfalto fizeram a ponte, daí entrou outra firma e mudaram o trajeto do asfalto e a ponte ficou. Quando abandonaram a ponte ninguém comentou muito, ficou ali, furaram outro lugar", disse.

Ao conseguir juntar dinheiro, seu Romeu foi em busca de adquirir um terreno e acabou sendo uma das propriedades que tem metade da ponte em cima. A compra ocorreu pouco tempo depois da obra ter sido abandonada. A outra metade fica com o vizinho de terra e a delimitação é feita por um córrego. "A gente não dava bola, porque não tinha valor. Depois, começou a vir gente de fora, acharam engraçado, virou meio ponto turístico. Gente de bicicleta, de moto, de carro vem aqui ver a ponte, filmar, tirar foto", observa.

Foi ali que seu Romeu e a esposa tiveram três filhos, mas atualmente apenas o casal permanece no local, onde mora há 45 anos. Com o passar do tempo, a ponte não despertou a curiosidade apenas de visitantes. "Teve um prefeito que queria levar a ponte para o rio Iracema, em Cunha Porã, mas a ponte não é minha, é do governo".

Fora as frequentes propostas para fazer negócio. "Muitos se interessam, querem comprar o pedaço da ponte para fazer ponto turístico, chácara de final de semana. Teve até uma proposta de uma pessoa que queria comprar um pedaço de terra na frente da ponte e colocar um chalé em cima da ponte, mas se eu vender é toda a área, agora, só ali na frente, não".

Mas, depois de observar o cuidado que seu Romeu tem com a propriedade e, mesmo com idade avançada, fazer questão de manter a grama aparada em uma grande extensão do terreno para receber os visitantes, nós descobrimos a verdade por trás de sua resistência em vender a propriedade: a ponte tem um lugar especial no coração do agricultor. "Não vendo. A terra fica para os filhos e, se eles quiserem vender, eles vendem. A ponte é o xodó da terra", finaliza.

Quem quiser conhecer a Ponte do Nada é bem-vindo pelo seu Romeu. Para quem faz o sentido Saudades/Maravilha pela BR-282, basta passar o trevo do Distrito de Juvêncio e seguir até encontrar a primeira entrada à direita. Ela fica após a última curva, na descida para a ponte. Ao entrar, deve seguir e entrar na primeira estrada à esquerda. Depois, é só continuar até achar a ponte, que fica à direita da estrada. Podemos garantir que vai ser difícil não ver ela.


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