Gestante realiza parto humanizado em quarto do Hospital de Pinhalzinho

Além do conjunto de procedimentos que caracterizam a humanização, o nascimento do bebê ocorreu na água

Imprensa do Povo
Foto: Imprensa do Povo

Às 8h04min do dia 19 de janeiro o Nicolas veio ao mundo, pesando 2.850 kg e medindo 46 cm. O nascimento ocorreu por meio de parto normal humanizado em um quarto do Hospital de Pinhalzinho. Além de o procedimento ainda não ser comum aqui na região, outro fator também chama a atenção: o bebê nasceu dentro de uma piscina inflável.

Por indicação da cunhada, a Kauana Lazzarotto Nizzola, de Coronel Freitas, fez o acompanhamento da gestação com o médico obstetra Marciano Anselmini. Mãe de primeira viagem, a jovem agricultora de 23 anos manifestou a vontade de ter o filho por parto normal. Quando as contrações começaram, na noite do dia 18, indicando que estava próxima a hora do menino vir ao mundo, ela e o esposo se dirigiram ao hospital. O trabalho de parto durou oito horas.

"Quando chegamos no quarto nos deparamos com uma piscina, que seria para o parto. Daí na noite e madrugada fiquei sendo monitorada pelos enfermeiros, meu marido ficou junto o tempo todo. Pela manhã, o Dr. Marciano chegou para me examinar e ver a dilatação. Daí ele mandou ir para debaixo do chuveiro para ir acalmando as dores. Depois voltei para a cama, fui examinada novamente, e daí ele me disse para entrar na piscina onde tinha água morna, que eu iria ganhar meu bebê ali, e o Nicolas nasceu dentro da piscina com água", conta.

Apesar de ter ficado surpresa com a sugestão, a então gestante prontamente aceitou ter o bebê na piscina. A experiência da mãe, que já era única, se tornou ainda mais especial pelo fato de o nascimento do filho não ter ocorrido na sala de parto mas em um quarto e de terem sido adotadas todas as medidas que caracterizam um parto humanizado. "Foi algo diferente, que fez com que eu não sentisse que estava em um ambiente hospitalar. Todo o procedimento ajuda muito no alívio das dores e também foi um lugar em que me senti mais calma", completa.

Parto humanizado

Ao contrário do que muita gente pensa, o parto humanizado não é um tipo específico de parto ou é caracterizado por ocorrer na água, por exemplo. Trata-se, sim, de um processo que busca sempre a humanização, tanto para a gestante quanto ao recém-nascido, conforme explica o médico pediatra Guilherme Damo, que acompanhou o nascimento do Nicolas.

"O parto humanizado é um conjunto de técnicas e procedimentos que a gente utiliza visando o conforto e a segurança da mãe e do bebê, priorizando o atendimento mais humanitário, a parte psicológica, a parte de conforto postural em detrimento daquele atendimento mais automatizado, mais hospitalar, que é como é feito a maioria dos partos ainda hoje. Existe, sim, um relacionamento mais direto, mais integral, entre médico e paciente. E além do médico, da enfermeira, do pediatra, a gestante pode contar com a presença de um acompanhante, quem ela escolher para conduzir esse momento de uma maneira mais adequada", explica.

O médico esclarece, ainda, que parto humanizado não é sinônimo de parto normal e nem de parto domiciliar. "A gente pode, inclusive, humanizar um parto cesário, visto que algumas pacientes não podem ter a via tradicional como via de seu parto. Sempre prezando pela segurança, mas via de regra o que diferencia é a ausência de intromissões como soros para agilizar o processo de parto, e como a episiotomia, aquele corte para aumentar o canal do parto e que pode ser necessário alguns pontos depois. São vários os fatores envolvidos que levam a gestante a poder ter o bebê de parto normal ou cesária humanizados, tem que avaliar o conjunto".

Conforme Guilherme, na rede pública de saúde de Pinhalzinho atualmente 50% das gestantes optam pelo parto normal e a outra metade são cesárias. Já na rede particular, 70% dos nascimentos são por meio de cesárias. Segundo ele, nos últimos anos a opção por parto normal tem aumentado, assim como o desejo das gestantes de terem um parto humanizado.

Vale destacar que o parto humanizado da forma como foi o do nascimento do Nicolas, que teve vários procedimentos de humanização e ainda incluiu quarto particular e piscina inflável, somente é feito pela rede privada em Pinhalzinho. Mas outras medidas como o contato aquecido pele-a-pele com a mãe e o estímulo à amamentação na primeira hora de vida são recomendações do Ministério da Saúde para assegurar o direito ao parto humanizado em toda a rede pública de saúde.

Para o Ministério da Saúde, humanizar é:

- Acreditar que o parto normal é fisiológico e que, na maioria das vezes, não precisa de qualquer intervenção;

- Saber que a mulher é capaz de conduzir o processo em que ela é protagonista desse evento;

- Informar a mulher sobre os procedimentos e pedir autorização para realizá-los;

- Garantir e incentivar a presença de um acompanhante escolhido pela gestante, para lhe passar segurança e tranquilidade;

- Promover um ambiente acolhedor;

- Respeitar cada mulher na sua individualidade, levando em consideração seus medos e suas necessidades;

- Oferecer as melhores condições e recursos disponíveis, para acolhimento e segurança;

- Prestar assistência ao parto e nascimento seguindo as evidências científicas e os mais altos padrões de qualidade, de acordo com as norma técnicas e recomendações do Ministério da Saude;

- Permitir o contato imediato do bebê com a mãe logo ao nascer e garantir que permaneçam juntos durante todo o período de internação.







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