História de Nova Erechim é contada por meio de acervo do Museu Municipal

Inaugurado em meio à pandemia, espaço abriga mais de 300 peças

Imprensa do Povo
Foto: Imprensa do Povo

Um lugar cheio de histórias e vivências, localizado na segunda casa de alvenaria construída em Nova Erechim, onde morou o primeiro prefeito da cidade, Aristides Zunkowski. Depois de um tempo, foi vendida à família Kolakoski e, agora, se torna patrimônio histórico para retratar os aspectos de um município que teve sua emancipação somente em 1964.

Na entrada do museu há uma placa que apresenta toda a história dos colonizadores até o dia 28 de dezembro de 1964, data de emancipação do município. Para que isso ocorresse, foi necessário a coleta de assinaturas de moradores locais, comprovando que existiam pessoas que habitavam aquelas terras que, até então, pertenciam ao Distrito de Saudades. Ao lado da placa se encontra uma foto do primeiro morador, Domingos Franzon, junto com sua esposa Julia Tereza Carbonera Franzon.

São mais de 300 peças abrigadas no museu, doadas ou emprestadas por famílias para que pudessem mostrar essa história, que vem de gerações. Elas são nomeadas e datadas, e algumas chamam mais a atenção dos visitantes, como o desenho do primeiro mapa do município, feito em 1983, 19 anos depois da emancipação, até um espaço deixado em homenagem à família Kolakoski, que conta também a história da casa, que tem aproximadamente 55 anos de construção.

Também despertam a curiosidade objetos que foram utilizados para medição das terras, pertences pessoais como o chapéu e a calça de Rodolfo Losina, um dos agrimensores que fez as medições, uma máquina de escrever que foi utilizada para fazer todo o processo das escrituras, e também uma pedra com resquícios indígenas que foi encontrada no município.

E tem muito mais: diversos retratos, textos, peças que marcaram a vida dos colonizadores, utensílios domésticos, ferramentas, artesanatos, eletrônicos antigos, equipamentos agrícolas e até troféus de competições esportivas. Há um espaço destinado à espiritualidade, muito presente na cultura das pessoas do município. São estátuas de santos da igreja católica e um mural feito para outras religiões. Sandra Solivo, diretora de Cultura do município, comenta que a sala foi instalada onde era o quarto do casal Alfredo e Edwiges Kolakoski, e que quando foram fazer a visita se emocionaram com o que viram, pois o ambiente era sempre cercado por santos.

O museu começou a ser organizado em 2020 e abriu suas portas em meio à pandemia do novo coronavírus, dificultando a visitação da população, mas isso não foi motivo de desistência para quem estava fazendo acontecer e inaugurou em agosto do mesmo ano. "Foi realizado uma campanha no começo da pandemia, nas redes sociais, explicando sobre a ideia e a organização do museu", informa a diretora de Cultura Sandra Solivo. A movimentação deu certo e, por meio dela, foi possível arrecadar as peças para exposição.

Além disso, várias pesquisas foram feitas para a viabilização do museu, tanto para a escolha da casa e ouvindo opiniões das pessoas que fazem parte de algum momento da história. Sandra afirma que o trabalho incluiu estudos baseados em livros, que podem ser encontrados na Biblioteca Municipal, e também em cursos feitos por ela para saber como organizar o ambiente para abrigar tantos assuntos.

Visitação

O espaço conta com dois tipos de exposição: a de longa duração, permanente, que apresenta toda a história e os mais de 300 itens expostos, e as de curta duração, que mudam de tempos em tempos e aborda assuntos diversos do município. "Cada visita é diferente, cada pessoa se identifica com uma história um objeto", diz a diretora. Por esse motivo, os visitantes também ajudam a contar sobre a história destes objetos e do local, trazendo mais conhecimento para ser aperfeiçoado.

O Museu Municipal é localizado na Avenida Independência, n° 52, próximo ao trevo de acesso ao município. A visitação é aberta de segunda à sexta-feira, das 7h30min às 11h30min e das 13h30min às 17h30min, sendo que nas segundas, quartas e sextas o horário se estende até às 18h. Também está aberto nos primeiros e terceiros sábados de cada mês, das 9h às 11h30min e das 13h30min às 16h.

Vale ressaltar que a visitação pode ser suspensa a qualquer momento e que a população deve ficar atenta aos decretos municipais e estaduais por conta da pandemia. Inclusive, devido ao grande número de casos dos últimos dias na região, o museu segue fechado até a próxima terça-feira (23), podendo se estender conforme necessidade.

Quando permitido a visitação, "pode ser feita por agendamento ou as pessoas que passam e tem interesse de visitar podem estar entrando no local se não houver muita gente", destaca Sandra. O cuidado segue redobrado, é exigido uso de máscara e feita aferição da temperatura. Os visitantes não podem tocar nos objetos para evitar que uma possível contaminação se espalhe no ambiente.

Atividades

O Departamento Municipal de Cultura, que se localiza junto ao Museu, oferta diversos cursos e atividades durante o ano. A próxima é o curso de sapateiro, que está com inscrições abertas o dia 25 de fevereiro. A atividade será ministrada pelo sapateiro Luiz Antônio Pozzer e vai ter duração média de três meses. É voltada para o público maior de 18 anos, tendo em vista que as ferramentas não podem ser usadas por crianças e jovens.







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