Recuos, antagonismo a Moisés e o coronavírus: as duas primeiras semanas do governo Daniela

Daniela Reinehr, governadora de Santa Catarina
Foto: Julio Cavalheiro/Secom

Daniela Reinehr completou duas semanas à frente do governo de Santa Catarina com uma gestão até agora marcada por recuos em redes sociais, prioridades sinalizadas e um perfil antagônico ao de Carlos Moisés da Silva. Aos poucos, a governadora mostra uma linha de trabalho que mistura decisões administrativas com políticas e ideológicas, algo que ela não escondia a intenção de colocar em prática.

Os primeiros dias de gestão foram marcados pela demora de Daniela em se posicionar de forma contundente sobre o nazismo e o holocausto, negado pelo próprio pai. A lentidão gerou reações de entidades israelitas e repercussão nacional. Com poucas horas na cadeira do Centro Administrativo, a governadora entrou no turbilhão que só aliviou quando ela emitiu uma nota em que disse ser "contrária ao nazismo".

Mas a gestão não engrenou nos primeiros dias porque Daniela preferiu gerar outras repercussões. Apagou postagens em redes sociais sobre pandemia e o ataque aos colegas da NSC TV. Os recuos marcaram o começo de governo e deixaram sinais de instabilidade nas decisões importantes que seriam tomadas, principalmente aquelas ligadas ao combate ao coronavírus no Estado.

Com pouco mais de uma semana, na agenda oficial, foi colocando em prática o discurso de aproximação aos Poderes. Ao lado do chefe da Casal Civil, o general Ricardo Miranda Aversa, visitou Assembleia Legislativa (Alesc) e Tribunal de Contas (TCE-SC), entre outras entidades. Depois Daniela foi a Brasília, se reuniu com ministros, o vice-presidente Hamilton Mourão e o presidente Jair Bolsonaro, de quem disse ser "cria" em entrevista ao NSC Total. Nos bastidores, se articula politicamente, mas até agora não anunciou um (a) novo (a) líder de governo na Alesc.

Relações com entidades

Moisés, enquanto esteve no cargo de governador, foi duramente criticado pela forma com que se relacionava, tanto com deputados como com entidades. Daniela disse ao tomar posse que faria diferente, sem citar o agora governador afastado. Nestas primeiras duas semanas, ela teve conversas com associações industriais e médicas, por exemplo. Na sua ida ao Norte do Estado, foi recebida em duas entidades, tanto em Jaraugá do Sul como em Joinville.

Outra crítica recebida pelo governador afastado vinha da relação dele como Bolsonaro. Daniela, porém, tratou logo de se aproximar do presidente e teve duas agendas na mesma semana, sendo uma delas no Palácio do Planalto.

Prioridades de ação

Originária do Oeste, Daniela Reinehr escolheu a estiagem como uma das suas primeiras missões. Montou um gabinete de crise e recebeu apoio de entidades e da Alesc, que ajudará com R$ 15 milhões para ações de contenção dos danos da falta de água na região. A governadora, inclusive, participou de uma das reuniões do gabinete na última semana e deve visitar cidades atingidas pelos efeitos da estiagem.

?SC tem salto de novos casos de coronavírus e maior número de pacientes em tratamento até hoje?

Na pandemia, Daniela fez o que prometeu. Ajustou as regras da volta às aulas e deu mais autonomia aos médicos no tratamento precoce. Os números da doença no Estado, entretanto, subiram de forma preocupante nos últimos dias, o que exigirá da governadora pulso firme na tomada de decisões.

Futuro político e de gestão

Com a previsão da definição dos processos de impeachment ainda em 2020, a governadora interina tenta imprimir um ritmo próprio na gestão. Fez trocas no secretariado em áreas próximas a ela como Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Casa Militar, Comunicação e Casa Civil, mas manteve os comandos de setores vitais como Saúde, Educação e Segurança Pública.

Daniela acerta ao não causar um movimento abrupto de gestão com impactos aos catarinenses. A máquina precisa girar, mesmo diante da instabilidade política que assola SC nos últimos meses. Um governo consolidado sem possíveis interrupções somente virá caso os processo de impeachment avancem, algo que nos bastidores ainda não é apontado como provável. Politicamente, portanto, a governadora interina ainda tem um longo caminho a enfrentar. A aproximação com a Assembleia começou, mas para surtir efeito o tempo é maior.

Na prática, os grandes desafios ainda estão por vir: o coronavírus em ascensão, retomada econômica a planejar e um verão com a pandemia em alta. Tudo isso deve estar entre as prioridades de um governo que, apesar de interino, vai decidir os rumos do Estado.

Fonte: NSC.






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