Incontinência urinária: tem tratamento e pode ser prevenida

Imprensa do Povo
Foto: Divulgação

Nesta semana, o Jornal Imprensa do Povo conversou com a fisioterapeuta pélvica Julia Guillante (CREFITO 286850-F), da Clínica Fisiocorpus, já que em março é lembrado o Dia Mundial da Conscientização sobre Incontinência Urinária. O tema é pertinente uma vez que afeta milhões de pessoas no mundo e trata-se de uma condição que impacta negativamente na qualidade de vida, comprometendo o bem-estar das pessoas acometidas pelo problema.

O que é
Segundo a Sociedade Internacional de Continência (ICS), a incontinência urinária (IU) é definida como "a queixa de qualquer perda involuntária ou escape de urina". É um problema muito comum e constrangedor, impactando negativamente na qualidade de vida da pessoa. Porém é importante ressaltar que a IU não deve ser considerada normal, nem se for pouca quantidade ou poucas vezes, é uma disfunção que tem tratamento e pode ser prevenida.

Quem pode desenvolver
Embora a IU seja englobada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) nas síndromes geriátricas (de idosos), ela pode acometer homens e mulheres em todas as faixas etárias. É, sim, mais comum na população idosa, mas não deve ser considerada uma parte do processo natural de envelhecimento.
Mulheres têm probabilidade duas vezes maior que homens de ter episódios de incontinência. Estudos mostram que muitos fatores aumentam esse risco, como alterações hormonais, menopausa, gestações, tipos e números de partos. Segundo a Associação Americana de Urologia, doenças como diabetes, cânceres, AVC/derrame e hipertensão arterial também estão relacionadas à IU. A obesidade também é um fator de risco grave.
Homens com problemas de próstata também apresentam um risco elevado de desenvolver incontinência, principalmente após a prostatectomia (cirurgia para retirada de próstata).

Incontinência urinária em números
Estima-se que mais de 200 milhões de pessoas no mundo perdem urina - o que equivale a quase toda a população brasileira. É esperado, ainda, que a sua prevalência venha a aumentar devido ao progressivo envelhecimento da população. Estudos apontam que 50% das mulheres terão incontinência alguma vez na vida. Sendo que mulheres levam até 6 anos para procurar tratamento para essa disfunção. No Brasil, 90% da população poderá ter incontinência após os 75 anos.
"Esses números não podem ser precisos, pois muitas pessoas ainda não contam a ninguém sobre seus sintomas, sofrendo em silêncio. Não sabemos ao certo o motivo, mas acredito que pelas pessoas acreditarem ser algo normal ou por vergonha", destaca Julia.

Tipos de IU, sintomas e tratamento
A incontinência urinária pode ser dividida em três principais tipos: de esforço, de urgência e mista. A IU de esforço é a mais comum, e normalmente é causada por uma fraqueza dos músculos do assoalho pélvico/períneo (que sustentam os órgãos pélvicos). O escape de urina acontece ao tossir, espirrar, pular, correr, rir ou fazer força, pois essas atividades aumentam a pressão sobre o assoalho pélvico. Não existem medicamentos para esse tipo de IU e a fisioterapia pélvica é considerada primeira linha de tratamento.
A IU de urgência ocorre quando a pessoa sente uma vontade de urinar súbita e tão forte, que não consegue postergar e a perda acontece porque não chega a tempo ao banheiro. Normalmente está associada a uma bexiga hiperativa, condição em que a bexiga se contrai mesmo se não estiver cheia, e a pessoa precisa urinar com muita frequência. Essa condição pode ser tratada de diversas maneiras, incluindo medicamentos e estímulos elétricos com equipamentos de fisioterapia. Algumas pessoas têm sintomas que podem ser dos dois tipos anteriores e chamamos esta condição de IU mista.
Os sintomas de IU podem ser agravados com a ingesta de líquidos considerados irritativos e diuréticos, que estimulam a bexiga e aumentam o volume da urina (chimarrão, bebidas alcoólicas, café?, refrigerantes, alimentos cítricos, e até? mesmo alguns medicamentos).
"O tratamento da IU depende do tipo, gravidade e causas, então pode ser necessária uma combinação de tratamentos. A fisioterapia é primeira linha de tratamento, é essencial e utiliza exercícios e equipamentos para fortalecer e melhorar a função da musculatura do assoalho pélvico, ajudar na conscientização corporal e perineal, reeducar funções vesicais, diminuindo e acabando com os sintomas.
Então, ao primeiro sinal de escape de urina, procure ajuda! Isso não é normal! Não deixe para depois, não demore, porque uma situação fácil de resolver, pode se tornar mais complicada. Não tenha vergonha. Converse com seu médico, procure a fisioterapia pélvica, um profissional especializado lhe ajudará a investigar as causas e fará de tudo para tratar e solucionar sua incontinência urinária", finaliza a especialista.






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