Sul de SC tem falta de medicamentos fornecidos na rede pública

Gerência de Saúde diz que deve ter 95% dos medicamentos até fim do mês

G1 SC
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Pacientes da região Sul de Santa Catarina reclamam da falta de medicamentos fornecidos na rede pública. Houve quem fizesse empréstimos para comprar os remédios e há cerca de 2,4 mil processos na Justiça para obter os medicamentos. A Gerência Regional em Saúde de Criciúma afirmou que deve entregar quase todos até o final do mês, como mostrou o Jornal do Almoçodesta quinta-feira (9).

Cadeira de rodas
Suelen da Silva descobriu em 2011 que tem esclerose múltipla. Entre alguns sintomas, a doença afeta a coordenação motora. Na paciente, a enfermidade se agravou quando ela teve um bebê, há dois anos. Na época, ela precisou usar cadeira de roda por três meses.

"Foi horrível. Eu não tinha vontade de viver. Quem ia me acordar era o meu filho. Eu só levantava da cama porque ele ia me chamar. Ele batia na porta e me chamava, 'mamãe!', aí eu levantava. Mas eu só levantava e ia para outra cama e ficava. Eu não tinha vontade de sair. Não tinha vontade de fazer nada", contou Suelen.

Para não voltar para a cadeira de rodas, ela precisa usar uma medicação que conseguiu na Justiça. Mas, segundo a mãe dela, Ana Paula da Silva, o remédio não chega há dois meses.

"Eu espero que eles normalizem essa medicação para ela porque para mim é um sofrimento muito grande. Várias internações, muita coisa. Ver minha filha em uma cadeira de rodas, saber que ela pode voltar para a cadeira. Isso aí me entristece muito mesmo", lamentou a mãe.

Como Suelen não pode esperar, a mãe decidiu pegar um empréstimo para comprar o remédio. Só uma ampola custa quase R$ 6 mil e dura um mês. A família não tem mais dinheiro para adquirir o medicamento. Sem ele, Suelen corre o risco de voltar para a cadeira de rodas.

Promessa para final do mês
A Gerência Regional de Saúde disse que a empresa terceirizada adquiriu o medicamento em 5 de janeiro, mas não sabe por que ainda não chegou. "O nosso jurídico está cobrando da empresa a entrega imediata da medicação e provavelmente na próxima semana já estará aos cuidados dela", afirmou o gerente, Fernando de Fáveri.

Segundo dados da Gerência, houve um aumento no número de pessoas que entraram na Justiça para conseguir os medicamentos. A região Sul é a que mais tem judicialização de medicamentos no estado.

"O Sul do estado representa 10% de todas as ações judiciais de Santa Catarina. Das 22 mil ações, 2,4 mil são aqui da região Sul. E a gente está muito preocupado de resolver essas questões. Hoje [quinta], nós já conseguimos colocar 70% da medicação em dia. A gente acredita que, até o final do mês, 95% esteja sendo entregue", afirmou o gerente. A Gerência não soube informar quais medicamentos estão em falta em Criciúma.

O presidente da Comissão de Saúde e Direito Médico da OAB Criciúma, Eduardo Alamini, orientou sobre quando entrar com um processo. "O direito é aquela pessoa que está doente, atestada pelo médico e que ela tenha aquela enfermidade. A partir do momento que ela não conseguir via administrativa essa medicação, que ela busque via judicial para conseguir essa medicação".


 






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