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Dia do Voluntariado

Uma história escrita por muitas mãos: Lions Clube de Pinhalzinho transforma o voluntariado em força para servir ao próximo

  • Foto: IMP - Da esquerda para a direita: Letícia Simon, associada; Cláudio Pedro Utzig, sócio fundador; e Raquel Basso, secretária do Clube.

Há quase cinco décadas, o Lions Clube de Pinhalzinho une gerações para transformar solidariedade em ações que fazem a diferença na comunidade

A solidariedade não precisa de uma data para existir. Ela nasce quando alguém decide olhar além de si, perceber a necessidade do outro e oferecer aquilo que pode: tempo, trabalho, conhecimento, atenção ou simplesmente uma mão estendida. Em Pinhalzinho, esse gesto de cuidar e fazer o bem atravessa gerações e se tornou parte da identidade de pessoas que escolheram transformar o voluntariado em uma forma de estar no mundo.


É nesse caminho que o Lions Clube de Pinhalzinho escreve, há quase cinco décadas, uma história feita de encontros, dedicação e serviço à comunidade. Mais do que promover campanhas, arrecadar recursos ou organizar ações, o clube construiu uma trajetória marcada por pessoas que encontraram no ato de servir uma maneira de transformar realidades e, ao mesmo tempo, transformar a si mesmas. Com a chegada do Dia Nacional do Voluntariado, celebrado em 28 de agosto, essa história ganha ainda mais significado e convida a comunidade a reconhecer a força daqueles que fazem o bem sem esperar nada em troca.


Fundado oficialmente em 17 de dezembro de 1977, o Lions Clube de Pinhalzinho reúne cerca de 80 associados e carrega como lema internacional a essência de sua caminhada: “Nós Servimos”. Ao longo dos anos, o clube levou esse princípio para diferentes frentes, como saúde, assistência social, meio ambiente, apoio hospitalar, combate à fome e atenção às crianças, transformando solidariedade em ações concretas e presença onde ela é necessária.  


E talvez uma das maiores riquezas dessa história esteja justamente nas pessoas que a constroem. Cláudio Pedro Utzig, sócio-fundador, soma 48 anos de dedicação ao Lions; Raquel Basso, há dez anos no clube, representa uma trajetória de envolvimento e transformação; e Letícia Simon, integrante do Lions há um ano e meio, carrega também a experiência construída no movimento LEO desde a juventude. São gerações diferentes, com histórias diferentes, mas unidas por um mesmo propósito: deixar o mundo um pouco melhor por meio do serviço ao próximo.


Quando servir se transforma em uma forma de viver


Por trás de cada ação realizada pelo Lions Clube de Pinhalzinho e pelos jovens que integram o LEO Clube Alpha e o LEO Clube Ômega, existe algo que não aparece nos números ou nos resultados: o tempo e a disposição de pessoas que escolheram servir. São horas dedicadas à organização de campanhas, à arrecadação de recursos e ao atendimento de quem precisa. Um trabalho voluntário e profundamente humano, que encontra sentido na possibilidade de fazer a diferença na vida de alguém.


Para Cláudio Pedro Utzig, sócio-fundador e integrante do Lions há 48 anos, foi justamente a possibilidade de ajudar quem mais precisa que o motivou a ingressar no movimento. Ao longo das décadas, ele aprendeu que servir não significa necessariamente oferecer recursos financeiros. Muitas vezes, atenção, acolhimento ou uma palavra no momento certo também fazem a diferença. “É a pessoa que se doa, o seu tempo, em favor daqueles que precisam”, resume.


Aos 26 anos, Letícia Simon também encontrou no voluntariado um caminho de transformação pessoal. Sua história começou ainda jovem, quando entrou no movimento LEO por influência dos amigos. O que começou como uma forma de estar próxima da turma se tornou uma experiência que permanece até hoje. Para ela, servir à comunidade também significa aprender, desenvolver habilidades, criar vínculos e ampliar o olhar para diferentes realidades.


Raquel Basso, integrante do Lions há dez anos, destaca que o voluntariado consegue mobilizar pessoas e oferecer respostas rápidas às necessidades da comunidade. Quando alguém se dispõe a ajudar, cria-se uma rede de apoio capaz de alcançar quem precisa de maneira próxima, ágil e humana.


Uma rede de apoio que faz a diferença


Entre as ações que melhor representam a presença do Lions na comunidade está o Banco de Equipamentos Ortopédicos, mantido de forma permanente desde 1996. Ao longo dos anos, a iniciativa se tornou uma importante rede de apoio para moradores que passam por cirurgias, fraturas, lesões ou períodos de recuperação e precisam de equipamentos que, muitas vezes, teriam dificuldade para adquirir.


Atualmente, o acervo reúne mais de 500 itens, entre cadeiras de rodas, andadores, muletas, camas hospitalares, botas ortopédicas e outros equipamentos. O empréstimo é realizado gratuitamente, pelo período necessário, permitindo que famílias tenham acesso ao suporte adequado durante a recuperação, sem precisar assumir o custo da compra.


Depois de devolvidos, os equipamentos passam por manutenção e cuidados necessários antes de voltarem a ficar disponíveis para outras pessoas. Dessa forma, um mesmo aparelho pode ajudar diferentes famílias ao longo dos anos, transformando um recurso material em uma corrente permanente de cuidado e solidariedade.


Para manter e ampliar esse trabalho, o clube conta com a participação da comunidade em campanhas e eventos, entre eles o tradicional Jantar Beneficente Anual. A arrecadação é destinada à manutenção e aquisição de novos equipamentos, fazendo com que a solidariedade de quem participa do evento se transforme diretamente em assistência para quem precisa.


Cuidar da saúde é também cuidar da dignidade


O trabalho do Lions Clube de Pinhalzinho se estende para diferentes áreas, acompanhando necessidades que vão da saúde à assistência social e à preservação do meio ambiente. Entre as ações permanentes estão as iniciativas voltadas à saúde visual, com exames de acuidade e encaminhamentos para a aquisição e doação de óculos e armações a pessoas em situação de vulnerabilidade. O clube também promove testes e ações de prevenção à diabetes, contribuindo para a conscientização sobre uma doença que, muitas vezes, pode avançar de forma silenciosa.


O compromisso com a comunidade também passa pelo cuidado com o ambiente. Ao longo de sua trajetória, o Lions desenvolveu ações de preservação, reflorestamento e proteção de nascentes e mananciais, reforçando a relação entre meio ambiente e qualidade de vida.


Na área social, fazem parte da história do clube as campanhas de combate à fome, com doação de cestas básicas, além das tradicionais ações de Páscoa e Natal voltadas às crianças. Já no apoio à saúde, uma das iniciativas mais recentes foi a revitalização do estacionamento do hospital de Pinhalzinho, realizada em parceria com o LEO Clube Ômega, mostrando como a união entre os clubes amplia o alcance das ações e fortalece o cuidado com a comunidade.


Novas gerações que mantêm vivo o propósito de servir


A continuidade desse trabalho também passa pela participação dos jovens, que encontram no LEO Clube Alpha, voltado a integrantes de 12 a 18 anos, e no LEO Clube Ômega, de 18 a 30 anos, um espaço para desenvolver o espírito voluntário e contribuir com a comunidade. Com o apoio e apadrinhamento do Lions Clube de Pinhalzinho, os grupos desenvolvem ações próprias e também se unem aos companheiros em iniciativas conjuntas.


Entre os destaques está o LEO Doce Lar, campanha que mobiliza a comunidade para arrecadar recursos e reunir voluntários na reforma da residência de famílias em situação de vulnerabilidade. A iniciativa já recebeu reconhecimento dentro do movimento internacional, tornando-se uma das ações que projetam o trabalho desenvolvido pelos jovens de Pinhalzinho.


Entre histórias, experiências e novos caminhos


A convivência entre diferentes gerações é uma das forças que mantém o Lions Clube de Pinhalzinho ativo e renovado ao longo dos anos. De um lado, estão associados que carregam décadas de experiência e ajudam a preservar a história e os valores da instituição. De outro, chegam novos integrantes com ideias, energia e disposição para dar continuidade ao trabalho.


Aos 80 anos, o sócio-fundador Cláudio Pedro Utzig vê essa renovação como essencial para a continuidade do clube. Para ele, a diferença de idade não representa distância, mas uma oportunidade de troca. Enquanto os mais experientes compartilham conhecimentos construídos ao longo da trajetória, os novos associados chegam com novas perspectivas e disposição para assumir responsabilidades.


Essa relação também contribui para o crescimento pessoal dos próprios voluntários. Letícia, aos 26 anos, destaca a importância de poder aprender com quem ajudou a construir a história do Lions e, ao mesmo tempo, ter espaço para contribuir com novas ideias. “Eu olho para o Cláudio como inspiração e ele olha para mim como oportunidade”, resume.


O voluntariado não exige dinheiro ou tempo sobrando


Um dos desafios para aproximar novas pessoas do voluntariado é a ideia de que é preciso ter muito tempo disponível ou recursos financeiros para ajudar. No Lions, porém, a experiência mostra que cada pessoa pode contribuir de alguma forma, seja participando de uma campanha, auxiliando na organização de um evento, oferecendo conhecimento ou simplesmente dedicando atenção a quem precisa. O trabalho do clube é construído principalmente pela disposição dos próprios associados e pelo apoio da comunidade nas campanhas e eventos. Para os integrantes, o voluntariado não representa apenas aquilo que se entrega ao outro, mas também aquilo que se recebe em aprendizado, experiências e relações humanas.


Como resume Letícia Simon, dedicar tempo ao próximo não significa perdê-lo, mas utilizá-lo de uma maneira que também transforma quem ajuda. “Nunca é perda de tempo, é sempre um ganho de experiência”, afirma.


Uma comunidade que sustenta e renova essa história


A trajetória do Lions Clube de Pinhalzinho só se mantém forte ao longo de quase cinco décadas graças à relação de confiança construída com a comunidade. A população participa dos eventos, contribui com doações e apoia as campanhas porque reconhece o trabalho desenvolvido e sabe que os recursos arrecadados retornam em ações para o próprio município.


Ao mesmo tempo em que conta com esse reconhecimento, o clube enfrenta um desafio importante: atrair novas pessoas e formar lideranças dispostas a assumir responsabilidades. Manter uma estrutura com cerca de 80 associados exige participação, organização e comprometimento, especialmente porque todas as funções são exercidas de forma voluntária.


Por isso, o Lions mantém suas portas abertas para quem deseja conhecer o movimento e descobrir como pode contribuir. Afinal, renovar o quadro de voluntários significa também garantir que a história construída ao longo de quase 49 anos continue sendo escrita pelas próximas gerações.


A transformação silenciosa que acontece no coração de quem serve


Ao olhar para quase cinco décadas de história, uma palavra resume o significado do Lions Clube de Pinhalzinho para quem dedica parte da vida ao voluntariado: transformação. Para Raquel Basso, o clube representa pertencimento. Para Letícia Simon, é uma experiência que mudou sua forma de enxergar a vida e as pessoas. Para Cláudio Pedro Utzig, é a satisfação de acompanhar de perto o impacto que uma ação pode causar na vida de quem recebe ajuda.


Neste Dia Nacional do Voluntariado, celebrado em 28 de agosto, a trajetória do Lions deixa uma mensagem que ultrapassa o próprio clube: não é preciso esperar pelo momento perfeito para fazer o bem. O primeiro passo pode começar com algumas horas, uma habilidade, uma palavra ou simplesmente a vontade de estar presente.


Porque servir é deixar um pouco de si na vida de alguém e, no caminho, descobrir novos sentidos para a própria caminhada. Há quase 49 anos, o Lions Clube de Pinhalzinho transforma essa escolha em uma história coletiva, construída por diferentes gerações que encontraram no mesmo propósito uma forma de fazer a diferença: servir ao próximo. 


Texto: Isabela Garcia

Publicado por Isabela Garcia

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isabelagarciadstrabalho@gmail.com

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