Aliando agricultura familiar e tecnologia, fazenda em Nova Erechim atinge média de até 38 litros de leite por vaca/dia e prova o valor da gestão profissional diante dos desafios do mercado.
O mercado lácteo é o coração pulsante de milhares de pequenas propriedades brasileiras, representando não apenas uma atividade econômica essencial, mas a espinha dorsal da subsistência e da dignidade no campo.
De acordo com dados oficiais da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, o Brasil consolidou uma produção histórica anual superior a 35 bilhões de litros de leite. A captação formal iniciou o ano em ritmo recorde, atingindo 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre, a maior marca para o período desde o início da série histórica em 1997.
Produzir leite no Brasil, no entanto, significa enfrentar uma rotina implacável de sol a sol e lidar com a volatilidade constante do setor. Em Nova Erechim, esse cenário ganha contornos de superação e esperança por meio da trajetória da família Basso e Bianchi, onde o suor do passado abre espaço para a precisão técnica do futuro.
O que começou há quase três décadas com um pequeno plantel de cinco vacas, fruto de um trabalho braçal e desafiador, hoje se tornou uma referência de estrutura, tecnologia
O retorno dos jovens e a sucessão familiar
O avanço na atividade ganhou um novo ritmo e o coração da família se renovou com o retorno dos irmãos João Vitor Bianchi, engenheiro agrônomo, e Ronaldo Bianchi, médico veterinário
"Como a gente aqui na propriedade não tem uma área tão grande de terra para plantar, enfim, tanto de pastagem como de milho, a gente tem que otimizar ela ao máximo"
, explica o agrônomo João Vitor Bianchi.
Para atingir esse objetivo, a correção periódica do solo e o manejo rigoroso da nutrição tornaram-se pilares para sustentar o aumento do número de animais sem a necessidade de expandir a área geográfica da fazenda
Conforto animal e alta produtividade
O cuidado com a saúde e o conforto do rebanho complementa o trabalho agronômico. O médico veterinário Ronaldo Bianchi, que concilia a rotina da propriedade com a atuação na Defesa Sanitária do Estado pela Cidasc, implementou melhorias estruturais significativas, incluindo a ampliação do barracão no sistema de compost barn e novos investimentos em climatização
No dia da entrevista, os números registrados na propriedade demonstravam a eficiência do plantel: com 64 vacas em lactação, a fazenda mantinha uma média expressiva de 36 a 38 litros de leite por animal ao dia
Um fato curioso que chama a atenção na propriedade é a forte relação de afeto com o rebanho: os familiares conhecem e chamam cada uma das vacas pelo próprio nome, um feito notável diante do tamanho atual do rebanho.
Os números diários obtidos pela propriedade superam com folga os indicadores regionais e estaduais
Desafios de mercado e eficiência na gestão
Apesar dos excelentes índices produtivos locais, a instabilidade econômica do setor leiteiro nacional permanece como o principal obstáculo
Kátia Joana Tortelli, extensionista de leite da Cooper Itaipu, ressalta que o cenário exige cada vez mais profissionalismo por parte das famílias rurais
O futuro estruturado como empresa
O exemplo da família Basso e Bianchi demonstra que a divisão clara de tarefas e o entendimento da atividade como uma empresa são determinantes para a sustentabilidade do negócio
Aos 60 anos, Gilmar manifesta orgulho ao ver o entusiasmo dos filhos em dar sequência ao patrimônio construído
O equilíbrio entre os desafios diários da atividade e a paixão em dar continuidade ao legado da família resume o sentimento que move a nova geração à frente dos negócios rurais:
"Com certeza a gente vem vendo que é muito desafiadora, mas é o que a gente gosta, é o que a gente sempre fez, então a gente pensa que vale a pena todo esse serviço."
— João Vitor Bianchi, engenheiro agrônomo.

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