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Histórico

Pinhalzinho comemora o Dia da Colonização e relembra sua trajetória multicultural

  • - Serraria de José Marcolino Eckert, década de 1930

Data oficializada em 2003 resgata a chegada dos pioneiros em 1933 e destaca a importância da diversidade de povos na construção do município.

O município de Pinhalzinho celebra neste domingo, 17 de maio, o Dia da Colonização. A data se tornou oficial por meio da Lei Municipal nº 1.077/2003, instituída durante as comemorações dos 70 anos da cidade.

O marco temporal remete ao dia 17 de maio de 1933, data em que o primeiro caminhão, vindo de Selbach (RS), conseguiu romper a floresta e chegar à localidade. Esse evento deu início a uma onda migratória planejada, impulsionada pela venda de lotes feita pela Companhia Territorial Sul Brasil.

A força da extração madeireira
A consolidação do povoado inicial está intimamente ligada ao trabalho de José Marcolino Eckert. Após retornar dos combates da Revolução de 1932 em São Paulo, o pioneiro fixou residência definitiva na região em 7 de setembro de 1933.

O principal motor do desenvolvimento econômico local foi a abertura de uma serraria de sua propriedade. A empresa atuava de forma expressiva na extração e comercialização de pinheiros, exportando toras de madeira para a Argentina por meio do Rio Uruguai.

Serraria de José Marcolino Eckert, década de 1930

Uma história construída por muitas mãos
Embora a data oficial celebre a imigração alemã e italiana vinda do Rio Grande do Sul, a historiografia local aponta que Pinhalzinho foi moldado por uma rica pluralidade de culturas ao longo do tempo.

    Povos Indígenas: Os indígenas da etnia Kaingang já habitavam e transitavam por toda a região há milhares de anos.

    Caboclos e Tropeiros: Populações caboclas e guardiões de passagens já ocupavam áreas como a Volta Grande e o Salto Bonito antes da década de 1930.

    Refugiados e Escravizados: A região serviu de refúgio para pessoas que fugiam de conflitos políticos no Rio Grande do Sul e para negros escravizados que buscavam a liberdade na fronteira de litígio entre o Brasil e a Argentina.

    Migração Recente: O perfil acolhedor da cidade segue ativo, recebendo migrantes de várias partes do país e do exterior, com destaque para a comunidade venezuelana, que hoje compõe cerca de 10% da população local.

Em 2003, para registrar essa trajetória, foi lançado o livro "Bonito Pinhal", escrito por Ivo Eckert, filho do pioneiro Marcolino, tornando-se a primeira obra oficial a resgatar as memórias e o desenvolvimento que levaram o antigo povoado a se emancipar de São Carlos no ano de 1961.


Publicado por jornal Imprensa do Povo

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